terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Paquistão??!! É de comer?


Duelo é um livro para aquelas pessoas que gostam de saber o que está acontecendo no mundo, para aquelas que olham para um horizonte que vai além do próprio bairro.

O renomado jornalista Tariq Ali nos oferece a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o seu país de origem, o Paquistão. Este faz fronteira com China, Índia, Irã e Afeganistão e é o único país muçulmano a possuir um arsenal atômico (pelo menos até agora). Seu valor estratégico é indiscutível, mas será que nosso conhecimento em relação a esse país faz frente ao seu grau de importância?

O livro traz vários fatos interessantes; alguns beiram a curiosidade, como é o caso do nome do país (Pakistan, do original em inglês), criado pelo estudante Chaudhry Rhamat Ali da seguinte forma: P = Punjab; A = Afeganistão; K = Kashmir (Caxemira) e S = Sind*.

Outros fatos beiram os filmes de espionagem, como a história de Aimal Kansi, ex-agente da CIA que lutou contra os russos no Afeganistão. Após a guerra, o seu salário foi cortado e isso fez com que ele se sentisse traído. Em 1993, viajou para Virginia, foi até Langley e ficou de tocaia com um rifle de longo alcance, matou dois agentes da CIA, incluindo o seu antigo chefe, e feriu vários outros. Conseguiu fugir para o Paquistão, realizou um atentado contra Benazir Butho até ser capturado, extraditado e condenado à morte nos EUA.

E já que eu falei sobre a Benazir... uma das coisas que mais me surpreendeu no livro foi a revelação dos escândalos de corrupção envolvendo Benazir Butho e seu marido. A elegante senhora que a mídia ocidental apresentou como uma heroína respondia a processos de lavagem de dinheiro em três países europeus: Suíça, Espanha e Grã-Bretanha. Isso não chega até nós, não é mesmo?!

O livro conta essas histórias nas entrelinhas de uma grande retrospectiva político-histórica que vai do momento da criação do Paquistão até os problemas que o país enfrenta nos dias de hoje.
Em poucas palavras, esse é um livro para quem gosta de conhecer culturas diferentes e sabe que o mundo é formado por mais de um hemisfério.


*P.S: Deve ser muito bacana batizar um país. Imagino Chaudhry conversando com os amigos: “você se lembra daquele dia que estávamos voltando para casa e eu tive a ideia de batizar o nosso país?”, ou “ela terminou comigo dois anos antes de eu batizar o Paquistão”, ou ainda “gostei muito do tempo de faculdade, tirei boas notas, conheci muita gente interessante, batizei um país... é, foi legal”, rsrs!


O autor, Tariq Ali

Um comentário:

Pedro Teixeira disse...

Irã também tem arsenal nuclear, ou vocês acreditam mesmo que todo aquele urânio é apenas para energia e economia?
Não que eu tenha algo contra, para mim tudo o que for contra USA e a favor do antissemistismo está ótimo.

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