Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Trilogia Hobbit?


Pois é. Agora é oficial. Peter Jackson vai fazer três filmes para adaptação do primeiro romance de J. R. R. Tolkien, O Hobbit, que precedeu – e explica muito! – O Senhor dos Anéis.

A polêmica consiste em saber se o livro dá tanto pano para manga assim. Afinal, na edição da Martins Fontes, o romance não chega a ter 300 páginas, enquanto O Senhor dos Anéis tem mais de mil, além de trazer muito mais detalhes a cada linha. Não seria o caso, por exemplo, de adaptar as histórias d’O Silmarillion*, para prosseguir as representações tolkienianas na linguagem cinematográfica?

É fato que mesmo com a versão estendida, lançada após as bilheterias, ainda falta muita história e minúcias em O Senhor dos Anéis – sim, eu queria muito ver como seria Tom Bombadil e as Criaturas Tumulares, por exemplo –, mas isso é cinema. Não dá para colocar tudo o que um livro pode trazer na película. Mas nem por isso a sétima arte pode ser considerada um gênero menor, só é diferente. Está aí o próprio Peter Jackson, com sua brilhante adaptação à maior obra de Tolkien, que não me deixa mentir.

Agora, sem querer ofender ninguém, apesar de ter gostado muito d’O Hobbit, não acho que ele seja digno nem de descalçar as sandálias de O Senhor dos Anéis e não carece ser adaptado em três filmes. Em outras palavras: isso cheira a interesses mercadológicos. Mas, longe de mim querer ofender o grande cineasta neozelandês. Sério. Todo respeito e admiração a ele.

Espero que eu – e boa parte dos apreciadores de Tolkien – esteja rotundamente enganada e que me surpreenda. De qualquer forma, não tenho dúvidas de que será uma grande adaptação e espero enxergar Lá e de Volta e Outra Vez com novos olhos.


* Uma coletânea mitológica escrita por Tolkien sem edição final até a sua morte. O livro foi lançado por seu filho, Christopher, em 1977, e traz a narrativa descritiva – incompleta  –  sobre o universo da Terra-Média, que ambienta  O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

Imagem: Facebook/Divulgação

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O belo Jane Eyre (filme e livro)



Desde que fiquei sabendo da produção do filme até ele chegar às locadoras no Brasil, foram dois looooongos anos. Mas a nova versão de Jane Eyre não decepcionou.

Eu sei, eu sei. Cinema e literatura são artes diferentes e, assim, uma boa adaptação de um livro para o cinema não é necessariamente aquela que se iguala ao livro o máximo possível.

Porém, eu me sinto muito frustrada quando vejo um livro que adoro ser transportado para a telona de maneira que estraga a história original. Depois da tristeza de ter assistido A casa dos espíritos (o filme é muito pobre comparado ao livro) e de nunca ter achado uma boa adaptação do livro favorito da minha adolescência, O Conde de Monte Cristo, eu devia ter desistido. Mas ainda bem que quis ver Jane Eyre.

Esse filme de 2010 traz Mia Wasikowska e Michael Fassbender nos papéis de Jane e Mr. Rochester. Uma descoberta legal é que a bela fotografia foi dirigida pelo brasileiro Adriano Goldman.

O roteiro é muito fiel ao livro e dá gosto assistir para relembrar e para apresentar a história a outras pessoas que não leram e não têm intenção de ler o romance de Charlotte Brontë (infelizmente...).

Uma jovem órfã querendo tomar as rédeas da sua vida, um patrão um tanto grosseiro, uma casa com um segredo assustador. Jane Eyre muitas vezes é vista como a primeira heroína feminista. Ela não ficou esperando um casamento e foi atrás de ser alguém.

Vejam o filme. Mas... um conselho ainda melhor: leiam o livro e depois vejam o filme ;)

Jane Eyre, 2010, dirigido por Cary Fukunaga com roteiro de Moira Buffini, inspirado no romance de Charlote Brontë.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Albert Nobbs

Na Irlanda do século 19, mais especificamente em Dublin, uma mulher se passa por homem, há mais de 30 anos, para sobreviver física e financeiramente. Quem lança mão desse artifício é Albert Nobbs, personagem de Glenn Close que vive numa sociedade machista e moralista.

 O filme é baseado no conto "The Singular Life of Albert Nobbs" de George Moore e realizado pelo colombiano Rodrigo García (filho do prêmio Nobel de literatura Gabriel García Márquez). Era um projeto antigo de Glenn Close, que já havia interpretado o personagem numa peça em 1982 e nesse filme participa da produção e do roteiro.

Após essa breve introdução, algumas considerações pessoais.


É um filme irregular, com algumas passagens que poderiam ser aprofundadas e outras de uma ingenuidade indigesta. Mas o que sobressai, e faz valer, é a atuação e caracterização de Glenn Close. Não tanto pelas roupas masculinas e maquiagem, mas sim pelas expressões impecáveis. Ela é um garçom em um hotel frequentado por uma discutível aristocracia. Sua retidão, competência e capacidade de submissão fazem dela um empregado exemplar. Ela é um homem, esquisito, mas um homem. Em uma atuação dolorosamente contida. Convence a ponto de, em uma determinada cena, vestida de mulher parecer um travesti. Tamanha é a interiorização dessa vida inventada.

O filme vale pela excelência de Glenn Close e também pela ótima atuação de Janet McTeer.

Por conta da magistral atuação da atriz nesse tipo de papel, lembrei-me de um outro filme, Jogo Perigoso (1986), com a fantástica Vanessa Redgrave. Drama de um médico e exímio jogador de tênis, que se submete a uma operação de troca de sexo (personagem de Vanessa Redgrave). Depois da cirurgia, passa a jogar tênis profissional feminino com o nome de Renee Richards. Sofre todo o tipo de pressão quando descobrem que não era mulher. Baseado em fatos, Richards foi técnica da tenista Martina Navratilova.

Vanessa Redgrave arrasa na interpretação do médico-tenista. Recomendo muito!

Bom, voltando... Glenn Close concorreu ao Oscar de melhor atriz, e não levou. O que pra mim é um elogio! 


Cumps

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A árvore da vida







Acabei de ver, com um tanto de atraso, o filme A árvore da vida, do diretor e roteirista Terrence Malick, vencedor da Palma de Ouro de Melhor Filme na última edição do Festival de Cannes.

Ao realizar a tarefa hercúlea de mostrar todo o percurso da origem do universo até os dias de hoje, Malick torna-se maçante e quase didático. As belas imagens que poderiam ser de qualquer documentário da National Geographic ou do Discovery Channel e a própria abordagem do tema não trazem lá muitas novidades, como o fizeram 2011: uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick, ou Koyaanisqatsi, de Godfrey Regio. Foi-me impossível evitar a comparação a esses dois grandes filmes que genuinamente inovaram a forma de fazer cinema.

Em A árvore da vida, o diretor alterna a grandiosidade de um Big Bang e a época dos dinossauros com a pequenez da trajetória humana. Logo no início tem-se uma frase dita por Deus: "Onde estavas quando lancei os fundamentos da Terra?", em resposta a Jó, que questiona por que o justo sofre.

Mas é o homem nessa sua dimensão ínfima que carrega a grande questão que assola a humanidade desde sempre: a consciência da morte. E não só a sua própria, mas também a morte de quem se ama.

Através de suas lentes, Malick mostra a história de uma família suburbana dos anos 50 no Texas, com tradição rígida e fervor religioso. Com o luto por um membro da família, alguns personagens iniciam uma jornada de indagações sobre o sentido da vida e a existência de Deus.

Em um dado momento apresenta-se a dicotomia: a vida como graça (um presente divino, simbolizado pela mãe generosa de sentimentos e altruísta) ou a vida como natureza (só matéria, representada aqui pelo pai competitivo e ambicioso). Pode-se escolher um desses caminhos. O velho maniqueísmo entre o bem e o mal, que levará um dos filhos, já na idade madura, a grandes inquietações.

Ou seja, não são questões novas e acredito que não é necessário ler Santo Agostinho ou Nietzsche para entendê-las. Todos, em algum momento, já se fizeram essas perguntas. De qualquer forma, a religião pode ser um bálsamo aos crédulos, no processo de mitigar as dores.

Na minha opinião, vale assistir ao filme por conta da estonteante fotografia de Emmanuel Lubezki, das boas atuações e angústias que convencem. De resto, pouco acrescenta. Aliás, tantas horas de filme cortadas (no original eram 8 horas rodadas) que o personagem de Sean Penn parece deslocado e sem função.

E já que o assunto é morte, eu não o colocaria como um dos importantes filmes para se ver antes de morrer.

Cumps.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...