Mostrando postagens com marcador Guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guerra. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Livro sobre captura de Bin Laden desbanca Cinquenta Tons de Cinza nas vendas

Mark Bissonette (sob o pseudônimo Mark Owen) lançou na última terça-feira o livro No Easy Day sobre a operação que capturou Osama bin Laden. No dia do lançamento, ele já estava no 31º lugar na Amazon. Agora, já desbancou a trilogia iniciada pelo Cinquenta Tons de Cinza.

O livro foi publicado sem a autorização das Forças Armadas e o Pentágono o considera quebra de sigilo e um perigo para os EUA e as famílias dos militares.

O relato de Mark será lançado aqui pelo selo Paralela da Cia das Letras com o nome Não há dia fácil.

No site da editora, está a biografia do autor:

Foi membro do Grupo para o Desenvolvimento de Operações Especiais da Marinha, o DEVGRU, mais conhecido como Equipe Seis do Seal. Em seus muitos anos como Seal da Marinha, participou de centenas de missões no mundo inteiro, incluindo o resgate do capitão Richard Phillips no oceano Indico em 2009. Foi chefe de equipe na Operação Lança de Netuno, em Abbottabad, Paquistão, em 1o. de maio de 2011, que resultou na morte de Osama bin Laden. Owen foi um dos primeiros homens a adentrar no esconderijo do terrorista e testemunhou, em primeira mão, a sua morte. O nome verdadeiro de Mark Owen foi trocado por motivos de segurança.

Lá, também é possível ler o primeiro capítulo do livro:

Muita gente está curiosa para saber o que aconteceu naquela noite. Você também?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Gibran Khalil Gibran

“A simplicidade é o último degrau da sabedoria”

جبران خليل جبران [Gibran Khalil Gibran]



A poesia e a sabedoria já aparecem em seu nome que, com harmonia, intercala o som duro e vibrante de “gibran” [o fortalecido por Deus] com a suavidade e doçura de “khalil” [o amigo íntimo].

Gibran nasceu no Líbano, o País dos Cedros, no ano de 1883. A sua poesia tem a cor local, mas conversa com qualquer leitor, de qualquer época ou lugar, pois fala de valores universais como amor, amizade, vida, morte, fé...

Gibran escrevia em forma de parábolas, o que dá ao seu texto um tom de mistério e provoca momentos de reflexão – como os melhores textos do Oriente. E quando pensamos que descobrimos a mensagem oculta no texto, basta insistir mais um pouco e descobriremos algo ainda mais profundo, ainda mais escondido entre as palavras. Bem... é como no xadrez: se você encontrou uma boa jogada, é porque não se esforçou o suficiente para achar a jogada excelente.

Gostei de tudo que li dele, mas posso recomendar, em ordem de preferência, três livros em especial: O louco, Asas partidas e O profeta. Além de escritor, Gibran também se dedicou às artes plásticas e alguns de seus livros contam com desenhos feitos por ele.

Infelizmente, quando ouvimos falar do Oriente Médio, fica mais forte a questão das guerras e dos conflitos.

O Líbano de Gibran sofreu na década de 1980 com uma longa guerra civil. Guerra semelhante a que hoje está acontecendo na Síria. E me pergunto: quantos Gibrans já não podem ter morrido nesses conflitos?

Com pesar, lembro-me do terrível destino do movimento artístico alemão conhecido como Der Blaue Reiter (O cavaleiro azul) – cujo maior expoente foi o pintor Franz Marc, quem muito admiro por suas cores vivas e por conseguir fazer do cavalo um animal ainda mais bonito –, esse movimento foi extinto pela sangrenta Primeira Guerra Mundial, que matou ou exilou os seus artistas. Hélas! Todo um movimento artístico exterminado pela guerra.

O pintor Franz Marc, aos 36 anos, foi abatido em campo de batalha por um obus. Com ele, foi encontrado um caderno com 36 desenhos e uma carta para sua esposa em que dizia que, após o final da guerra, transformaria os desenhos em pinturas. E outra vez um hélas escapa da garganta.

É triste começar um post falando sobre poesia e terminá-lo falando de guerra.

O cavalo azul (Franz Marc, 1911)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Maldita guerra!

"Maldita guerra atrasa-nos meio século!"
(Barão de Cotegipe para o barão de Penedo)



Muito já se falou e escreveu sobre a II Guerra Mundial, porém, não foi essa a nossa guerra maior. Não foi esse o conflito em que o Brasil foi invadido e teve suas cidades saqueadas. Não foi na II Guerra que o Brasil liderou uma aliança contra um tirano. A guerra a que me refiro aqui é a Guerra do Paraguai.

Durante anos, acreditei na versão que me foi ensinada na escola sobre esse conflito. Acreditei que, naquela época, o país guarani estava se tornando uma potência regional, industrializada, próspera e com ótimos índices de educação. E, por causa disso, a Grã-Bretanha, ameaçada nos seus interesses de dominar toda a região do Prata, jogou o Brasil, a Argentina e o Uruguai contra o Paraguai. Todas as pessoas que ouviram essa versão e acreditaram precisam conhecer uma obra-prima da historiografia moderna chamada Maldita guerra, de autoria de Francisco Doratioto.

O livro é muito bem escrito e resultou de uma pesquisa detalhada que reconta e desmistifica esse conflito. A pergunta que fica é como uma versão tão cheia de falhas (e falhas grosseiras!) perdurou por tanto tempo nos livros escolares?

Na época do conflito, o Brasil estava com relações cortadas com a Inglaterra por causa da Questão Christie, já o Paraguai não parava de comprar armamentos dos ingleses e contava até com técnicos militares desse país treinando suas tropas e participando da construção de fortalezas. Os guaranis, em relação à industrialização e à educação, viviam em um regime quase feudal (onde a família López era o senhor) e sofriam com os índices altíssimos de analfabetismo. E, para completar, foi o Paraguai o país agressor. O exército de López invadiu de surpresa as províncias brasileiras de Mato Grosso e Rio Grande do Sul e a província argentina de Corrientes. As ambições paraguaias giravam em torno de se tornar uma das potências da região platina e conquistar uma saída para o Oceano Atlântico (estratégica para o comércio com a Europa).

Com uma narrativa fluida e muitas fotos, o livro leva o leitor a conhecer um pouco mais sobre um evento tão importante em nossa história, mas tão pouco conhecido (ora por falta de curiosidade dos leitores ora pela má-fé de alguns historiadores).

Sei que quando o assunto é História, é difícil saber o que de fato é a verdade, mas também sei que estamos mais perto disso quando desmascaramos esse tipo de mentira.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Santo engarrafamento!

No final do ano passado, em uma cesta de livros descartados, encontrei uma obra magnífica. Um livro que eu não teria lido de imediato se não fosse por um engarrafamento na Av. Paulista (santo engarrafamento!). Falo aqui de Maratona. Não, não é um livro sobre esporte, o tema aqui é a grande batalha que freou o avanço do império persa em direção à Península Balcânica.

O império persa era o maior do mundo, já havia subjugado vários povos (egípcios, babilônios, bactrianos...). Já Atenas era apenas mais uma cidade-estado grega que não tinha grande importância fora daquele contexto do Mar Egeu. Porém, a história é cheia de casos “Davi e Golias” e os pequenos e bravos se agigantam diante das ameaças.

O que mais impressiona no livro são os comentários inteligentes do autor Alan Lloyd e a forma como ele conta a história dessas duas civilizações, a grega e a persa, até o momento da batalha. A parte sobre os persas chama ainda mais atenção porque é muito raro encontrar material de qualidade que fale, com detalhes e sem preconceitos, sobre esse povo.

Há muitas passagens curiosas, entre elas: a do exército persa que, após dominar o Egito, tentou cruzar o deserto e desapareceu misteriosamente, sem deixar rastros; a do soldado do exército persa que era tido como o dono da voz mais poderosa do mundo e, com um grito, conseguiu chamar os reforços que estavam muito distantes e assim salvou o seu regimento e o imperador; e, para terminar, a do mago impostor que quase usurpou o trono persa após a morte de Cambises II!

Parece ficção, mas é história (com algumas pitadas de absurdo).

Pensando cá, com os meus botões, confio ainda mais na ideia de que só sabemos se um mal é verdadeiramente um mal com o passar do tempo. Santo engarrafamento!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um relato extraordinário

Vocês tiveram a sorte em nascer pássaros e livres...vejam o que nós humanos fazemos uns aos outros

Na véspera do dia de Nossa Senhora Aparecida, tive a sorte de ver de perto Immaculée Ilibagiza, uma mulher admirável, que conseguiu sobreviver de forma heroica ao genocídio ruandês de 1994. Ainda estavam vivas, em mim, as palavras de sua instigante história autobiográfica, em “Sobrevivi para Contar - O Poder da Fé me Salvou de um Massacre”, quando a ouvi contar sua incrível saga, em uma palestra no TUCA, teatro da PUC-SP. Como quando li as páginas de seu livro, não pude conter as lágrimas.

Logo no prefácio, ela avisa: o livro não pretende contar a história de Ruanda, nem do genocídio, mas a história pessoal em meio à guerra civil ruandesa. Não é por isso, no entanto, que é uma história menos impressionante. Em seu relato, Immaculée conta como superou a solidão, o medo, o ódio e garantiu a fé em Deus e nas pessoas.

Ela, que nunca havia ouvido falar em tutsis e hutus em sua família, passou 91 dias dentro de um banheiro de 1,2m de comprimento e 1m de largura, com mais cinco mulheres e, mais tarde, com mais outras duas, porque o acaso – a alta estatura e o nariz afinado – resolveu considerá-la uma tutsi. Durante o período, elas não podiam conversar ou tomar banho, comiam restos de comida dos moradores da casa e só puxavam a descarga ao mesmo tempo em que alguém, no outro banheiro, puxava também.

Em sua liberdade, essa mulher teve de pagar preços ainda mais dolorosos: pai, mãe, avós e irmãos foram assassinados de forma cruel e violenta. A nova vida lhe deixava entre a esperança e o desalento. Era preciso encontrar um emprego, amigos, uma casa, mais tarde, um grande amor e o mais difícil de tudo: a capacidade de perdoar, apenas assim conseguiria estar livre para recomeçar sua vida.

Immaculée só conquistou o perdão por meio da oração. No banheiro, apegou-se ao terço vermelho e branco, dado pelo seu pai na última vez em que viu. Depois de pedir insistidas vezes para perdoar os assassinos e a livrar-se do ódio que sentia, ela conseguiu. “Pela primeira vez, desde que havia entrado no banheiro, dormi em paz”.

E foi para discursar sobre o perdão que Immaculée veio ao Brasil. Com essa arma poderosa, entendeu que a sua vida poderia ter um novo começo e o ciclo vicioso da vingança e do ódio entre os povos poderia ter um fim. Ao vê-la tão bonita e decidida, meu sentimento foi de pura admiração, o sentimento de pena ameaço deixar para mim e para os outros quando nos deixamos impressionar e nos acovardar diante das pequenas mazelas da vida ordinária.

Immaculée, 39 anos, trabalhou na ONU em Ruanda e nos Estados Unidos. É casada com um norte-americano, tem dois filhos e hoje se dedica à sua Fundação Ilibagiza, criada por ela para atender sobreviventes de genocídios e guerras, principalmente os órfãos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...